quarta-feira, 12 de novembro de 2008

- Nu (Parte II)

O seqüestro aconteceu.
Levou o mais caro, o mais raro.
Usurpadores de máscaras idênticas
enfileirados nas paredes das ilusões precipitadas
Vieram na gritada da noite
Os gritos se confundiam com a chuva de pesadelos
E os pesadelos se confundiam com a aparente realidade.
as placas sinalizavam o caminho errado
era exatamente lá que estava o desejo.
entre os gritos, pesadelos e mentiras
havia o precipício das hipocrisias, lá ficavam os obstáculos para aproximação
Depois, passaram pelas flores caídas, a parte boa que caia sobre o chão banhado de gotas pesadas
Chegaram à prisão, onde estavam os amados.
Libertadores, libertinagem, lixo.
roubaram.
Roubaram a certeza da mente, roubaram a satisfação a ser sentida
satisfação em feto, satisfação sendo gerada, no ventre da mãe - imaginação.
Invadiram minha mente.

domingo, 12 de outubro de 2008

- Nu.

Compreensão exata.
Pare de olhar pela fechadura, não há nada o que ver.
Não fume, mas..., mais.
Não beba, não se embreague.
Não se drogue, não ame.
Não ouça roque, não cante Joni.
Faça suas tarefas escolares, não sorria.
Não minta, não cumpra.
Não faça, não faça.
Mantenha-se longe do fogo, queime-se na absoluta certeza de nada.
Não quase-morra, não pense.
Não pense, não crie.
Não fuja, não fique.
Não mate, não nasça.
Não seja ruim.
Não seja bom, bem, seja mal.
Não escreva, não.
Não diga não.
Não.
Não.
Não seja louco.
Seja funcional, seja assim.
Seja isso, seja assado, seja aquilo outro, aquilo mais.
Seja fraco e obediente.
Pegue o controle da TV, mas aumente, não mude.
Cale-se e siga.
Siga.
Não desvie o caminho.
Desvie dos caminhos errados.
Ande, mas não muito.
Pare mas nem sempre.
Não grite, não pule.
Não pule.
Não beije.
Não transe, não transe.
Não acredite.
Porra, acredite.
Não abra os olhos. Pronto, pode abrir.
Não acenda a luz, não apague.
Idiota, não mije aí.
Ei mije aqui.
Não pode, não pode.
Coloque roupas.
Tire a roupa agora.
Não pode!
Não pode?
Não pode.
Marionetando as nossas vidas
Controle - não - remoto.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

- Igual. Quase igual.

Quase tudo começa com quase. As semelhanças são "quase". A vida é um quase, um quase morrer, um quase nascer, um quase.
Eu quase não tenho vontade de vir, e vim, por que ainda me restava o quase.
Estávamos, eu e a vida, apagando algumas memórias quase vivas ainda, e quando percebi que precisaria de vinte CDs para que quase todas fossem guardadas - Quase desisti.
Paranóia com o quase hoje, e não sei bem o motivo. Percebi que essa palavra engraçadinha, é mais imponente do que qualquer outra. As coisas podem ou não acontecer, é aí que entra o "quase", que desmancha o acontecimento, pois o "quase" acontecido - De fato não aconteceu.
Outra perspectiva, esta extremamente pessoal, é que o "quase" se utiliza para que aquilo que desejamos ter ocorrido chegue mais perto da veracidade. É como se quando disséssemos "Quase Ganhei" estivéssemos mais próximos da vitória. Ou "Quase Perdi", traduz o desejo de mostrar a todos que venceu o fracasso. É nítida a presença do quase. Ele é infalível para descrever fatos empolgantes, e sonhos "quase" realizáveis.
O problema, é quando sua vida se torna um amontoado de "quases", que você esconde debaixo da cama para não exibí-los. Escondendo sua coleção brilhante de erros. Quando você se depara com um "quase" logo vem na sua cabeça, que o locutor está mentindo, como: "Eu quase fui na sua casa ontem", não, isso de fato é mentira. E você sabe.
Uma grande besteira, não?
É. Estou sem espírito para ditar coisas. Na verdade estou sem imaginação, mas deixa pra lá, sem espírito e sem imaginação - "São quase iguais".

domingo, 31 de agosto de 2008

- Em 1ª pessoa.

Vestidos com as roupas de Deus
Desprovidos da indecência (sub) humana
Desenhando com a ponta dos dedos
as curvas não-perigosas do desejo.
Ora cola, ora fala, ora cala...
é assim.
Olhos, bocas e beijos
Bocas, olhos e abraços
Boca-olhos-beijos-abraços.
Amor individual, reproduzir amor sozinho é assim.
Amor em 1ª pessoa.


ps: breve.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Me dê 1 hora.

25 horas por dia ocupada demais para meus caprichos. 25 horas por dia tentando inventar uma boa desculpa para justificar minha ausência, tentando ocultar a vedadeira desculpa. 25 horas por dia preenchendo esse vazio, esse oco, esse monte de palavras misturadas - juntas não somam uma ladainha. 25 horas por dia, tentando estendê-lo por 26. 25 horas por dia, ligada no 220, "pára - noiando" mil coisas sem sentido.
Jogado às traças, feito meus pensamentos sórdidos.

sábado, 16 de agosto de 2008

- Azul - marinho.

Entre meados de solidão, meu corpo pede arrego aos meus sonhos imensuráveis.
As folhas caídas nas calçadas fazem um Ballet magnífico, que chama atenção de quem é minimalista. Eu nunca as vi dançar.
Entre linhas tortas fui escrevendo meu presente, ignorando a possibilidade de um futuro, e incrivelmente me vejo no futuro em branco que escrevi com caneta transparente. Tudo evidentemente marcado a luz da ausência e da saudade. Advérbios.
Opacidade, dilacerado é o meu orgulho de saber quem era, e hoje repugnando o que descobrir que sou. Tudo tão explícito. As histórias noturnas perderam o sentido interno, e a minha vida se tornou tão egoísta que não me deixa viver. Está pesado demais acordar e repetir a seqüência quase-lógica "pré-destinada" aos incapazes de fugir as exceções, cumprindo sempre a mesma regra padrão.
Eu continuo dando valor as coisas simples, esperando que um dia me torne uma delas.

Ainda sem palavras, repetindo o dito há dias atrás.Encontro em meus fracassos internos motivos pra manter os dedos inertes. A felicidade me apaga, e a tristeza me nutre. Entre essas duas, fico com a terceira.

sábado, 9 de agosto de 2008

- A última vez que vi Anne.

Da última vez que encontrei Anne, foi em 99
E me lembro do seu perfume adocicado, e seu cachecol vermelho sangue
A gente tomou um conhaque, e trocou mágoas por uns segundos.
Ela disse que desejou beijos e flores, e que conseguira isso
Só que hoje não faz mais sentido, e aquelas doces mentiras
e as desilusões de um quase-amor quase-perfeito.

estava escuro na Pub, mas ainda conseguia ver seu sorriso dolorido
e as marcas tristes que o tempo marcou na sua alma infantil
e quando lembro de seu perfil, vejo beleza onde não há.

Antes de se magoar com mentiras que ela adorava repetir
disse num tom grave, que Pietro havia se casado
e com uma moça de olhos cor-de-mel, disse isso com inveja nos lábios.
Já eram doses de solidão que engolia sem pensar
e o filtro não filtrava mais nada.
Anne falava como quem fala a um Vigário
como se eu pudesse absolvê-la de seus momentos de fraqueza.
e assim ela repetia suas doces mentiras, tentando
convencer a mim, de que um dia foi feliz
mas as coisas acabam, e o amor não é tudo - Dizia.

Continuamos com filosofias pós-meia-noite
vira-e-mexe ela repetia suas doces mentiras.
A essa hora a gente diz o que não quer
mas eu ainda tentava estabelecer silêncio no meio de tantas palavras ditas.

Hoje quando acordei, e me vi diante ao espelho
percebi que Anne envelheceu dez vezes o que deveria.
Mas o que dói, é que eu estatizei e me vejo cada vez mais inexperiente.
Anne me disse que cada dez coisas que falamos, pelo menos oito são frutos de um pensamento incompleto
e a cada dez que escrevemos, as dez servem para que abafemos as palavras e contemplemos o silêncio que destas advém.

Ainda ouço as doces mentiras de Anne, e acredito que sejam sinceras.
A gente ouviu Joni Mitchell
e percebi que Richard seria ótima companhia para Anne
e os meus dedos resolveram mentir pra ela, e escrever isto aqui.