Vê. Não somos gentis.
Na ausência total de sentido pras coisas úteis, percebe-se um vazio imenso, que preenche todas as pequenezas que nos invadem na correnteza das coisas. A verdade é que partimos, inevitavelmente, de lugares distintos. A pequeneza das coisas se traduz em valor, negociável, de tempo e energia. A correnteza da vida não é sinuosa como a dos rios, ou melhor, ela foi, mas botaram cimento. A correnteza das coisas não nos permite, talvez, contrariando toda filosofia, ser diferente do que somos agora. Só os astros.
Todos os cadáveres estão na sala, fedendo.
Empacotando seus corpos, o que sobrou deles, eu choro, um por dia. Eu os choro agora, porque só agora posso fazê-lo. Mas tenho de fazê-lo.
A correnteza é implacável.
Embora os lutos venham, os dias de sol e incerteza, me acalmam. Porque não importa o que eu deixe de fazer. A calma invade e eu choro em paz.
Faço velórios silenciosos, que se confundem com as coisas do dia. Ninguém sabe, mas eu estou de luto. Rezo pelos mortos, e sei que agora eles podem viver tranquilos. Mas eles fedem. Eu acelero seus enterros, mas não quero chorá-los com pressa. Momento propício este, que me deixa chorar com calma.
Eu vou enterrá-los, todos. Para que eu possa encontrá-los em alguma parte sem constrangimentos.
Eu me comprometo com o futuro, a partir disso, quando ele vier.
quinta-feira, 19 de março de 2020
quarta-feira, 18 de março de 2020
A História, que não serve pra nada, do fim do mundo.
O futuro chegou.
Ele não é como falavam os otimistas. Nem como falavam os pessimistas. O futuro pertence a quem não tem fé, nem piedade. O futuro chegou, e ele é pior do que nos filmes de ficção.
No ano de 2020...pausa aqui, essa parte é importante, porque é agora que faço uma ode a esse velho hábito, que, se algum dia historiadores do pós-futuro (aquele que não é agora, e se houver historiadores nesse futuro), forem vasculhar os arquivos cibernéticos, encontrarão, quase como uma jóia real, os relatos de uma completa anônima que viveu entre 1991 e algum dia que não sei dizer, detalhadamente narrados em tempo real dos acontecimentos por quase 12 (ou mais, porque não sei que dia morro) anos. Espero que esses historiadores se lembrem da micro-história, de Ginzburg, de Domenico. Encontrarão uma narrativa pouco envolvente, mas bastante afetada, sobre esses tempos.
Agora retomo - no ano de 2020 o futuro chegou para nós. O mundo agora está atento e consternado com a sua miséria. Os astros jamais poderiam ter sido tão certeiros na escolha deste ano, para ser o ano do apocalipse, porque sobre este ano de 2020 documentos podem ser facilmente adulterados (essa parte carrega uma grande suposição de que ainda existam pessoas interessadas em lê-los). O fato é que fomos acometidos pelo mal humano de continuar insistindo naquilo que nos mata, de forma cínica, algo parecido com fumantes. Neste ano, fomos submetidos ao maior equívoco da nossa própria arrogância, encurtar o tempo e espaço, dizimar todas as intransponíveis barreiras do existir. Alguns ingênuos cientistas chamam de globalização. Prefiro ruína.
Agora temos um panorama ficcional de dar inveja às mentes mais brilhantes do cinema e da literatura. À China, de nada serve a muralha. E desta vez nem o Coliseu soube dizer quanto tempo tem o mundo velho. Estão todos plenamente fodidos. Incontroláveis anedotas no mundo virtual nos animam no fim da festa, e aos trópicos é o que resta mesmo.
Teimam em dizer que somos descartáveis. Não é que do nada uma doença esteja contaminando o mundo todo e matando pessoas, não. É maior e mais potente. Do nada nos demos conta do inevitável frente à forma como fomos obrigados a nos reproduzir neste mundo. Nos demos conta de que nada faz sentido. Não há nada mais certo do que a falência dos homens que vivem como coisas. Nada mais certo de que a História não nos serve. Mas eu não quero parecer contraditória.
As capitais fecharam seus aeroportos, as ruas estão solitárias de seus carros, pois para eles foram feitas. As pessoas estão confusas, porque não existe exílio, e não existe lar. As cidades podem pensar em dispensar toda a parafernalha moderna que só acumula ferragem desnecessária. Os burocratas assinam papéis, como sempre fizeram. Os idiotas se abraçam em torno da desgraça e levantam suas bandeiras nacionais, que agora fazem menos sentido ainda. Os idiotas e os burocratas continuam com seus hábitos, porque não são produtos de coisa alguma e não servem pra nada na ordem das coisas.
Enfim, como estava dizendo, as cidades agora flutuam vazias em suas coisas, e parece que não existe gente. Os supermercados estão lá, cheios de enlatados, que em algum momento do fim do mundo vão servir para alimentar as baratas. Os bancos emitem dinheiro de papel com rostos de pessoas estranhas estampadas, que também não servem pra nada.
Os abraços foram suspensos por ordem maior, mas é como se não houvesse a necessidade disso. Nos tempos em que vivo, as pessoas só querem se abraçar agora porque é contra a lei.
E quase tudo se altera em forma e conteúdo, porque não fazemos mais sentido.
Em 2020 pessoas continuam a viver num mundo virtual, onde tempo e espaço não correspondem a nenhuma realidade possível. Elas se debatem, se espremem, se choram, se desesperam, tudo no simbólico, mas continuam operando suas vidas virtuais, só que agora sem a realidade editável com filtros simpáticos, que jogam luz de geladeira sobre suas caras.
As novelas foram suspensas.
Tudo parou, tudo está afetado, contaminado, sujo. Não há mais seres humanos vivendo suas vidas. É o fim do mundo, acabou.
Não há notícias, mas os trabalhadores continuam operando as máquinas, e ao que tudo indica, passam bem.
Ele não é como falavam os otimistas. Nem como falavam os pessimistas. O futuro pertence a quem não tem fé, nem piedade. O futuro chegou, e ele é pior do que nos filmes de ficção.
No ano de 2020...pausa aqui, essa parte é importante, porque é agora que faço uma ode a esse velho hábito, que, se algum dia historiadores do pós-futuro (aquele que não é agora, e se houver historiadores nesse futuro), forem vasculhar os arquivos cibernéticos, encontrarão, quase como uma jóia real, os relatos de uma completa anônima que viveu entre 1991 e algum dia que não sei dizer, detalhadamente narrados em tempo real dos acontecimentos por quase 12 (ou mais, porque não sei que dia morro) anos. Espero que esses historiadores se lembrem da micro-história, de Ginzburg, de Domenico. Encontrarão uma narrativa pouco envolvente, mas bastante afetada, sobre esses tempos.
Agora retomo - no ano de 2020 o futuro chegou para nós. O mundo agora está atento e consternado com a sua miséria. Os astros jamais poderiam ter sido tão certeiros na escolha deste ano, para ser o ano do apocalipse, porque sobre este ano de 2020 documentos podem ser facilmente adulterados (essa parte carrega uma grande suposição de que ainda existam pessoas interessadas em lê-los). O fato é que fomos acometidos pelo mal humano de continuar insistindo naquilo que nos mata, de forma cínica, algo parecido com fumantes. Neste ano, fomos submetidos ao maior equívoco da nossa própria arrogância, encurtar o tempo e espaço, dizimar todas as intransponíveis barreiras do existir. Alguns ingênuos cientistas chamam de globalização. Prefiro ruína.
Agora temos um panorama ficcional de dar inveja às mentes mais brilhantes do cinema e da literatura. À China, de nada serve a muralha. E desta vez nem o Coliseu soube dizer quanto tempo tem o mundo velho. Estão todos plenamente fodidos. Incontroláveis anedotas no mundo virtual nos animam no fim da festa, e aos trópicos é o que resta mesmo.
Teimam em dizer que somos descartáveis. Não é que do nada uma doença esteja contaminando o mundo todo e matando pessoas, não. É maior e mais potente. Do nada nos demos conta do inevitável frente à forma como fomos obrigados a nos reproduzir neste mundo. Nos demos conta de que nada faz sentido. Não há nada mais certo do que a falência dos homens que vivem como coisas. Nada mais certo de que a História não nos serve. Mas eu não quero parecer contraditória.
As capitais fecharam seus aeroportos, as ruas estão solitárias de seus carros, pois para eles foram feitas. As pessoas estão confusas, porque não existe exílio, e não existe lar. As cidades podem pensar em dispensar toda a parafernalha moderna que só acumula ferragem desnecessária. Os burocratas assinam papéis, como sempre fizeram. Os idiotas se abraçam em torno da desgraça e levantam suas bandeiras nacionais, que agora fazem menos sentido ainda. Os idiotas e os burocratas continuam com seus hábitos, porque não são produtos de coisa alguma e não servem pra nada na ordem das coisas.
Enfim, como estava dizendo, as cidades agora flutuam vazias em suas coisas, e parece que não existe gente. Os supermercados estão lá, cheios de enlatados, que em algum momento do fim do mundo vão servir para alimentar as baratas. Os bancos emitem dinheiro de papel com rostos de pessoas estranhas estampadas, que também não servem pra nada.
Os abraços foram suspensos por ordem maior, mas é como se não houvesse a necessidade disso. Nos tempos em que vivo, as pessoas só querem se abraçar agora porque é contra a lei.
E quase tudo se altera em forma e conteúdo, porque não fazemos mais sentido.
Em 2020 pessoas continuam a viver num mundo virtual, onde tempo e espaço não correspondem a nenhuma realidade possível. Elas se debatem, se espremem, se choram, se desesperam, tudo no simbólico, mas continuam operando suas vidas virtuais, só que agora sem a realidade editável com filtros simpáticos, que jogam luz de geladeira sobre suas caras.
As novelas foram suspensas.
Tudo parou, tudo está afetado, contaminado, sujo. Não há mais seres humanos vivendo suas vidas. É o fim do mundo, acabou.
Não há notícias, mas os trabalhadores continuam operando as máquinas, e ao que tudo indica, passam bem.
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
As máquinas amáveis, e quando tudo mudou.
Tudo mudou.
Mudou tanto que volta e meia me pego pensando o quanto nossos dispositivos de guardar memórias são obsoletos. Me pego imaginando que quando iniciei esse hábito, ou vício, de conversar com máquinas, ainda fazia trabalhos enclausurados em disquetes e os entregava aos professores do ensino fundamental, com um leve orgulho por participar da mais alta tecnologia do momento. No fundo nem era verdade, porque nos idos de 2008 já não eram os disquetes que reinavam, eram os pen drives mal nutridos, que cabiam pouco mais do que uma imagem em boa resolução ou 20 músicas de mp3. Mas na minha vida ainda eram os disquetes, e toda a parafernalha que nem existe mais.
Me confundi um pouco com qual das mil contas de email, este lugar estava vinculado, e quase desisti por tentar tantos que já nem sei. Quando era bem jovem gostava de criar muitas contas de email que me fizessem parecer mais inteligente e original. Acontece que no fundo, eu sempre fui um pouco atrasada com as modas e com as coisas.
Tudo mudou de verdade. Quando comecei esse velho hábito blá, blá, blá - o Brasil vivia um estranho jeito de fantasia, e parecia que tudo era meio possível, e nós, achávamos que a vida era decidida por nós, exclusivamente. Nada parecia nos acordar daquele sonho estranho, um misto de futuro com nostalgia. Faz pouco mais de onze anos, e tudo mudou. Mas já disse que tudo mudou.
Quando eu entrei na universidade achei que aquilo era o ápice da vida adulta e que tudo melhoraria a partir daquela imersão no mundo burguês ao qual eu nunca havia pisado na vida. Entre amores profundos e textos que não entendia, passei longos anos lá, perdida no tempo, me esparramando no espaço, e depois me encolhendo na realidade, de novo.
Nada mudou, e é contraditório e contagiante dizer isso depois de tudo.
Nesse meio tempo fui perdendo a capacidade de síntese, e complicando demais a parte boa que é conversar com máquinas sem que ninguém te furte de si. É claro que hoje pessoas ganham dinheiro com máquinas falantes e reprodutoras e fotos cheias de filtro e frustração, e muita falação sobre tudo e sobre nada. Eu não queria ter conversas francas com pessoas, só com máquinas.
Foram muitas e muitas conversas francas que tive com máquinas, todas elas bem sucedidas, porque não havia nelas a vontade de existir.
Quem existe, complica.
Mas como tudo mudou, e ao mesmo tempo tem coisa que não muda, eu senti saudade. Nostalgia.
Eu queria mesmo estar aqui, e de alguma forma me conectar com aquela pessoa de alguns anos atrás que escrevia bem melhor do que agora, mesmo tendo lido muito menos, vivido muito menos e ponderado muito menos qual palavra usar, como agora. Eu fui crescendo, e perdendo a vontade absoluta de ser inteligente e original, porque isso ficou tão na moda. Eu queria desver certas coisas hoje, e poder apenas conversar com máquinas.
Sinto que vivo num país hoje que jamais aquela menina que se preocupava com amar e escrever, poderia imaginar. Reli um texto dela, onde ela pregava a liberdade individual e falava odiar o Chico Buarque, porque o fã clube dele era detestável. No país que eu vivo hoje, aquela menina não poderia dizê-lo jamais, porque isso sim é que dar corda pra maluco. Também, nesse mesmo texto aquela menina falava estar cansada de pessoas desconectadas com os reais problemas da vida.
Eu tendo a concordar com a última parte, mas devo admitir que gosto de Chico Buarque hoje, e de cinema iraniano também. Talvez aquelas pessoas que aquela menina detestava fossem meninas crescidas e distraídas com a vida adulta, tão cheia de pegadinhas.
E sobre amar. Bom, sobre amar, eu amo como ela amava. Sempre em descompasso, sempre querendo mais, sempre em perfeita ansiedade de ser logo e viver logo. Eu amo assim ainda.
Os amores dela, ainda são os meus. Eles nunca morreram, e nem vão. Porque depois de tudo ter mudado, continua tudo igual.
Eu não gosto mais de frio. Gosto de calor. Eu nem vivo mais na mesma cidade. Mas ainda uso roupas parecidas. Eu continuo fumando muitos cigarros. Continuo meio deprêshow. Fiz poucos amigos desde lá. Não ganho dinheiro com o que faço. E não sei fazer muitas coisas. Vejo a praia com mais frequência agora, e escrevo coisas que não gosto, ou gosto só de vez em quando.
Enfim, essa foi uma versão soft de "querido diário", mas não me importo porque gosto de conversar com máquinas.
Tenho meus primeiros cabelos brancos, meu manequim continua o mesmo, mas com dobras a mais. Meu rosto tem umas marcas, e eu torci o pé esses dias. Eu juntei meus panos de bunda com um rapaz de fina personalidade, calado e terno. Ele gosta de música e também de descansar. Nós somos adultos, parece. Sonhamos um bocado com muitas coisas, e as vezes eu não gosto dele, e as vezes amo muito. Acho que é assim que se cresce.
Pois bem, era isso. Salvei num post it virtual a senha e o email deste blog, e tenho certeza que da próxima vez que tentar acessá-lo não vou saber onde encontrar a informação, porque as coisas são obsoletas, e eu sempre tô atrasada.
Mudou tanto que volta e meia me pego pensando o quanto nossos dispositivos de guardar memórias são obsoletos. Me pego imaginando que quando iniciei esse hábito, ou vício, de conversar com máquinas, ainda fazia trabalhos enclausurados em disquetes e os entregava aos professores do ensino fundamental, com um leve orgulho por participar da mais alta tecnologia do momento. No fundo nem era verdade, porque nos idos de 2008 já não eram os disquetes que reinavam, eram os pen drives mal nutridos, que cabiam pouco mais do que uma imagem em boa resolução ou 20 músicas de mp3. Mas na minha vida ainda eram os disquetes, e toda a parafernalha que nem existe mais.
Me confundi um pouco com qual das mil contas de email, este lugar estava vinculado, e quase desisti por tentar tantos que já nem sei. Quando era bem jovem gostava de criar muitas contas de email que me fizessem parecer mais inteligente e original. Acontece que no fundo, eu sempre fui um pouco atrasada com as modas e com as coisas.
Tudo mudou de verdade. Quando comecei esse velho hábito blá, blá, blá - o Brasil vivia um estranho jeito de fantasia, e parecia que tudo era meio possível, e nós, achávamos que a vida era decidida por nós, exclusivamente. Nada parecia nos acordar daquele sonho estranho, um misto de futuro com nostalgia. Faz pouco mais de onze anos, e tudo mudou. Mas já disse que tudo mudou.
Quando eu entrei na universidade achei que aquilo era o ápice da vida adulta e que tudo melhoraria a partir daquela imersão no mundo burguês ao qual eu nunca havia pisado na vida. Entre amores profundos e textos que não entendia, passei longos anos lá, perdida no tempo, me esparramando no espaço, e depois me encolhendo na realidade, de novo.
Nada mudou, e é contraditório e contagiante dizer isso depois de tudo.
Nesse meio tempo fui perdendo a capacidade de síntese, e complicando demais a parte boa que é conversar com máquinas sem que ninguém te furte de si. É claro que hoje pessoas ganham dinheiro com máquinas falantes e reprodutoras e fotos cheias de filtro e frustração, e muita falação sobre tudo e sobre nada. Eu não queria ter conversas francas com pessoas, só com máquinas.
Foram muitas e muitas conversas francas que tive com máquinas, todas elas bem sucedidas, porque não havia nelas a vontade de existir.
Quem existe, complica.
Mas como tudo mudou, e ao mesmo tempo tem coisa que não muda, eu senti saudade. Nostalgia.
Eu queria mesmo estar aqui, e de alguma forma me conectar com aquela pessoa de alguns anos atrás que escrevia bem melhor do que agora, mesmo tendo lido muito menos, vivido muito menos e ponderado muito menos qual palavra usar, como agora. Eu fui crescendo, e perdendo a vontade absoluta de ser inteligente e original, porque isso ficou tão na moda. Eu queria desver certas coisas hoje, e poder apenas conversar com máquinas.
Sinto que vivo num país hoje que jamais aquela menina que se preocupava com amar e escrever, poderia imaginar. Reli um texto dela, onde ela pregava a liberdade individual e falava odiar o Chico Buarque, porque o fã clube dele era detestável. No país que eu vivo hoje, aquela menina não poderia dizê-lo jamais, porque isso sim é que dar corda pra maluco. Também, nesse mesmo texto aquela menina falava estar cansada de pessoas desconectadas com os reais problemas da vida.
Eu tendo a concordar com a última parte, mas devo admitir que gosto de Chico Buarque hoje, e de cinema iraniano também. Talvez aquelas pessoas que aquela menina detestava fossem meninas crescidas e distraídas com a vida adulta, tão cheia de pegadinhas.
E sobre amar. Bom, sobre amar, eu amo como ela amava. Sempre em descompasso, sempre querendo mais, sempre em perfeita ansiedade de ser logo e viver logo. Eu amo assim ainda.
Os amores dela, ainda são os meus. Eles nunca morreram, e nem vão. Porque depois de tudo ter mudado, continua tudo igual.
Eu não gosto mais de frio. Gosto de calor. Eu nem vivo mais na mesma cidade. Mas ainda uso roupas parecidas. Eu continuo fumando muitos cigarros. Continuo meio deprêshow. Fiz poucos amigos desde lá. Não ganho dinheiro com o que faço. E não sei fazer muitas coisas. Vejo a praia com mais frequência agora, e escrevo coisas que não gosto, ou gosto só de vez em quando.
Enfim, essa foi uma versão soft de "querido diário", mas não me importo porque gosto de conversar com máquinas.
Tenho meus primeiros cabelos brancos, meu manequim continua o mesmo, mas com dobras a mais. Meu rosto tem umas marcas, e eu torci o pé esses dias. Eu juntei meus panos de bunda com um rapaz de fina personalidade, calado e terno. Ele gosta de música e também de descansar. Nós somos adultos, parece. Sonhamos um bocado com muitas coisas, e as vezes eu não gosto dele, e as vezes amo muito. Acho que é assim que se cresce.
Pois bem, era isso. Salvei num post it virtual a senha e o email deste blog, e tenho certeza que da próxima vez que tentar acessá-lo não vou saber onde encontrar a informação, porque as coisas são obsoletas, e eu sempre tô atrasada.
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Sobre as luas.
É uma nova fase.
Acorda, olha o dia. Se é amarelo sorri. Se não, abre a geladeira, pra ver o amarelo. As paredes de todas as casa deveriam ser amarelas.
É uma nova fase.
Parece como aqueles jogos de videogame, você vai passando de fases, ganha uns sanguinhos, perde uns sanguinhos. Tem aqueles lances de acelerar a tela, ou de fazer ficar devagar. Você pode cair em alguns buracos e recomeçar...mas enfim, era só pra ser um exemplo tosco.
Aí você acorda, checa o dia, e segue. Em alguns momentos há muito o que fazer, em outros vários nadas se acumulam na esteira de pensamentos, aqueles que tendem a procrastinação. Você tem uma lista de coisas importantes do dia, mas elas nem são tão importantes. É como se escovar os dentes ou passar o café fossem coisas as quais você deve se orgulhar em fazer - realizar. É uma fase, agora me confundi se é nova.
Em algum momento você decide que é hora de levar as coisas a sério. Você realmente acha que precisa seguir alguns passos. Você insiste que não da mais pra viver um dia de cada vez, porque os dias se acumulam, e o resultado do passado não é tão óbvio quanto parece. No fim até é, mas a coisa de procrastinar e tal sempre faz você achar que...simplificando, você percebe que podia fazer um filme sobre todos os filmes que você tentou fazer (teve um cara genial, que não me recordo agora, que fez isso) ou a sensação de que todas as suas tentativas de fazer coisas foi a própria coisa que você andou fazendo nos últimos meses - anos. Mas isso também é um detalhe.
Aí esse pensamento todo vira, de novo, procrastinação. Então você resolve que não da mais. Encontra um par amável e tenta assumir que a vida é feita de escolhas. São as escolhas. Tem esse lance de signo, que acaba fazendo você acreditar que é incapaz de fazer escolhas. Não que eu duvide que seja astral, mas também acho que tem uma parte da biologia e outra parte que são os boletos (e aí, boletos significam economia e sociedade). Mas eu me apego naquilo que eu posso ler em três linhas, em qualquer jornal vagabundo, naquela coluna rosa, que também fala de roupas e sapatos e, claro, cruzadinhas.
Aí tem a coisa das escolhas. Você finalmente decide. E quando acontece de você decidir antes que aquilo não seja mais uma opção, você se questiona se o destino não contava com o fato de você ser uma pessoa que nunca decide. Será que você está lutando contra o destino?
Mas também tem aquilo, você sempre diz que não acredita nessas coisas, e que o materialismo histórico e ...enfim, você definitivamente escolheu o objeto de estudo errado, não entende como fez isso se nunca soube lidar com os tempos verbais. O Present Perfect é sua praia mesmo, e tem esse detalhe também, você nunca conseguiu sair dessa fase.
O pensamento do dia é: acordar, nem sempre escovar os dentes, fumar um cigarro, passar o café, pensar nas coisas úteis que tem que fazer, e procrastinar sobre elas. Se remoer por não tê-las realizado e recomeçar o ciclo. Tudo bem. Essa é doença do século.
Agora são duas escovas, duas toalhas, panos de bunda, lista do mercado, boletos de coisas que você nem lembra que usa, sexo, sexo ótimo, sexo estranho, pizza do mês, ressacas injustificáveis, planos.
São futuros. Dois futuros.
Retomando a coisa da lista, essa parte é a mais difícil. Se você não lembrar do pó do café - não haverá pó do café. A responsabilidade de toda a sobrevivência é automaticamente transferida a ponto de você se perguntar como sobreviveu até aqui (?). Isso eu já sabia, afinal...bom a gente assiste umas novelas, vê uns filmes, lê uns blogs no facebook. Você tinha absoluta certeza que com você nunca seria assim, mas é. Ah, e você também se pergunta porque a autoestima se transfigura tão rapidamente, considerando que no mesmo dia você se sente uma diva argentina cantando quizás, e aquelas mulheres de programas norte americanos com uma cor de pele amarelada (da cor do hamburguer do Mc), roupas de moletom e batom nos dentes. Mas isso também é só uma observação frenética e mal feita, já que, segundo os astros, você não é muito boa em observar.
Você vê as coisas bonitas acontecendo. Mas também tem aquelas que simplesmente não fazem o menor sentido. A propósito, essa semana as pessoas descobriram que existem obras de arte com representações de pênis e vaginas. Eu achei estranho, porque antes de estudar sobre arte, eu achava que todas as obras tinham pênis e vagina, depois descobri que isso era mais renascentista, sei lá. Tem as coisas bonitas acontecendo, aquele olhar carinhoso e aquele riso besta, de quando há futuros...mas não é simples entender o que aconteceu com a cabeça das pessoas, elas estão tão conformadas...e loucas. Realmente não dá pra explicar.
Mas você não tem mais energia pra sair com faixas, fazer paródia, abraçar desconhecidos. Você está guardando sua energia para as pedras, o fogo.
É fase. Já nem uma, nem nova.
Acorda, olha o dia. Se é amarelo sorri. Se não, abre a geladeira, pra ver o amarelo. As paredes de todas as casa deveriam ser amarelas.
É uma nova fase.
Parece como aqueles jogos de videogame, você vai passando de fases, ganha uns sanguinhos, perde uns sanguinhos. Tem aqueles lances de acelerar a tela, ou de fazer ficar devagar. Você pode cair em alguns buracos e recomeçar...mas enfim, era só pra ser um exemplo tosco.
Aí você acorda, checa o dia, e segue. Em alguns momentos há muito o que fazer, em outros vários nadas se acumulam na esteira de pensamentos, aqueles que tendem a procrastinação. Você tem uma lista de coisas importantes do dia, mas elas nem são tão importantes. É como se escovar os dentes ou passar o café fossem coisas as quais você deve se orgulhar em fazer - realizar. É uma fase, agora me confundi se é nova.
Em algum momento você decide que é hora de levar as coisas a sério. Você realmente acha que precisa seguir alguns passos. Você insiste que não da mais pra viver um dia de cada vez, porque os dias se acumulam, e o resultado do passado não é tão óbvio quanto parece. No fim até é, mas a coisa de procrastinar e tal sempre faz você achar que...simplificando, você percebe que podia fazer um filme sobre todos os filmes que você tentou fazer (teve um cara genial, que não me recordo agora, que fez isso) ou a sensação de que todas as suas tentativas de fazer coisas foi a própria coisa que você andou fazendo nos últimos meses - anos. Mas isso também é um detalhe.
Aí esse pensamento todo vira, de novo, procrastinação. Então você resolve que não da mais. Encontra um par amável e tenta assumir que a vida é feita de escolhas. São as escolhas. Tem esse lance de signo, que acaba fazendo você acreditar que é incapaz de fazer escolhas. Não que eu duvide que seja astral, mas também acho que tem uma parte da biologia e outra parte que são os boletos (e aí, boletos significam economia e sociedade). Mas eu me apego naquilo que eu posso ler em três linhas, em qualquer jornal vagabundo, naquela coluna rosa, que também fala de roupas e sapatos e, claro, cruzadinhas.
Aí tem a coisa das escolhas. Você finalmente decide. E quando acontece de você decidir antes que aquilo não seja mais uma opção, você se questiona se o destino não contava com o fato de você ser uma pessoa que nunca decide. Será que você está lutando contra o destino?
Mas também tem aquilo, você sempre diz que não acredita nessas coisas, e que o materialismo histórico e ...enfim, você definitivamente escolheu o objeto de estudo errado, não entende como fez isso se nunca soube lidar com os tempos verbais. O Present Perfect é sua praia mesmo, e tem esse detalhe também, você nunca conseguiu sair dessa fase.
O pensamento do dia é: acordar, nem sempre escovar os dentes, fumar um cigarro, passar o café, pensar nas coisas úteis que tem que fazer, e procrastinar sobre elas. Se remoer por não tê-las realizado e recomeçar o ciclo. Tudo bem. Essa é doença do século.
Agora são duas escovas, duas toalhas, panos de bunda, lista do mercado, boletos de coisas que você nem lembra que usa, sexo, sexo ótimo, sexo estranho, pizza do mês, ressacas injustificáveis, planos.
São futuros. Dois futuros.
Retomando a coisa da lista, essa parte é a mais difícil. Se você não lembrar do pó do café - não haverá pó do café. A responsabilidade de toda a sobrevivência é automaticamente transferida a ponto de você se perguntar como sobreviveu até aqui (?). Isso eu já sabia, afinal...bom a gente assiste umas novelas, vê uns filmes, lê uns blogs no facebook. Você tinha absoluta certeza que com você nunca seria assim, mas é. Ah, e você também se pergunta porque a autoestima se transfigura tão rapidamente, considerando que no mesmo dia você se sente uma diva argentina cantando quizás, e aquelas mulheres de programas norte americanos com uma cor de pele amarelada (da cor do hamburguer do Mc), roupas de moletom e batom nos dentes. Mas isso também é só uma observação frenética e mal feita, já que, segundo os astros, você não é muito boa em observar.
Você vê as coisas bonitas acontecendo. Mas também tem aquelas que simplesmente não fazem o menor sentido. A propósito, essa semana as pessoas descobriram que existem obras de arte com representações de pênis e vaginas. Eu achei estranho, porque antes de estudar sobre arte, eu achava que todas as obras tinham pênis e vagina, depois descobri que isso era mais renascentista, sei lá. Tem as coisas bonitas acontecendo, aquele olhar carinhoso e aquele riso besta, de quando há futuros...mas não é simples entender o que aconteceu com a cabeça das pessoas, elas estão tão conformadas...e loucas. Realmente não dá pra explicar.
Mas você não tem mais energia pra sair com faixas, fazer paródia, abraçar desconhecidos. Você está guardando sua energia para as pedras, o fogo.
É fase. Já nem uma, nem nova.
sexta-feira, 5 de maio de 2017
Parta.
Não acordei achando alguma coisa surpreendente. Naquele dia não esperava nada. Era um sintoma de que o dia seria a réplica daqueles outros. Me arrastei até os afazeres mesquinhos do capital. Aquele ritual perverso que sempre me consumiu, e me insultara sempre. Era dia de descanso, era dia de festa pra alguns. Passei o dia cortando uns limões, nada metafórico. Não esperava nada.
Pra falar verdade, tive a oportunidade de não sê-lo. Eu quis.
Foi tão estranho, foi tão corriqueiro, estranhamente corriqueiro. Parece que não houve nada. Foi normal. Eu esperava o constrangimento, esperava a falta de ar, esperava as mãos inquietas, esperava sentir, esperava chorar e não chorar. Não foi. Exatamente como tem que ser, e eu não queria que o fosse. Foi exatamente como é.
Tentei lembrar, a coisa do engolir a seco. A sensação de que perdi algo, mas nem sei direito o quê. A tendência a achar que o normal é bom. Não foi. Foi um encontro de banalidades, foi o enterro delas. Foi como tinha que fingir ser. Foi sem nenhuma palavra. Foi sem verso, sem prosa, sem nada pra frente. Foi tímido, foi triste. As banalidades, os clichês. Tinha que ser assim, afinal, de tudo aquilo que vivemos, o que não era um clichê? Era tudo verdade. Era?
Mas a velha sensação, àquela das roupas que não nos cabem mais. A coisa do passado velho, amarelado, esquecido e lembrado. Não tinha que ser mais nada, tinha que ser nada. Exatamente como findou.
Quando se tem tanto a dizer, mas nada sai, tudo o que se pensa em dizer depende de uma cadeia de dizeres, não daria tempo, não tem como começar, então é melhor nem ousar. Quando nem o silêncio exprime, quando nem ele da conta de remendar os porquês, os "não sei", os "perdões". Não tem perdão, não tem culpa pra tê-lo. É só a vida, Essa sucessão de dias que nos traz aqui. Foi só a vida. Não tem nada a ver com...amor. Que loucura é a partida. Não se parte na vida, ninguém parte. Essa é a parte triste de sempre estar.
Pra falar verdade, tive a oportunidade de não sê-lo. Eu quis.
Foi tão estranho, foi tão corriqueiro, estranhamente corriqueiro. Parece que não houve nada. Foi normal. Eu esperava o constrangimento, esperava a falta de ar, esperava as mãos inquietas, esperava sentir, esperava chorar e não chorar. Não foi. Exatamente como tem que ser, e eu não queria que o fosse. Foi exatamente como é.
Tentei lembrar, a coisa do engolir a seco. A sensação de que perdi algo, mas nem sei direito o quê. A tendência a achar que o normal é bom. Não foi. Foi um encontro de banalidades, foi o enterro delas. Foi como tinha que fingir ser. Foi sem nenhuma palavra. Foi sem verso, sem prosa, sem nada pra frente. Foi tímido, foi triste. As banalidades, os clichês. Tinha que ser assim, afinal, de tudo aquilo que vivemos, o que não era um clichê? Era tudo verdade. Era?
Mas a velha sensação, àquela das roupas que não nos cabem mais. A coisa do passado velho, amarelado, esquecido e lembrado. Não tinha que ser mais nada, tinha que ser nada. Exatamente como findou.
Quando se tem tanto a dizer, mas nada sai, tudo o que se pensa em dizer depende de uma cadeia de dizeres, não daria tempo, não tem como começar, então é melhor nem ousar. Quando nem o silêncio exprime, quando nem ele da conta de remendar os porquês, os "não sei", os "perdões". Não tem perdão, não tem culpa pra tê-lo. É só a vida, Essa sucessão de dias que nos traz aqui. Foi só a vida. Não tem nada a ver com...amor. Que loucura é a partida. Não se parte na vida, ninguém parte. Essa é a parte triste de sempre estar.
sexta-feira, 3 de março de 2017
caia na real.
Enquanto pensa em todas as catástrofes humanas, espirituais, místicas no cosmo celestial azul, a cabeça frita, em tudo aquilo que não existe.
Não existe. Mas isso não é o suficiente. O mundo é isso aí: universos paralelos, deuses imortais, a mente que voa, só pra você não ter que caçar seu almoço e saber que é só isso.
Não é só isso, não pode ser só isso. Mas é.
Tente ver que nada existe, e você só precisa resistir bravamente às próximas 24 horas, que também não são exatas, mas tente sobreviver só às próximas 24 horas.
E pronto! Parece pouco, mas é tudo.
Não adianta mesmo, esqueça todas as leituras herméticas e não herméticas que fez na vida, na esperança de alcançar o saber transformador...esqueça do cosmo celestial azul. Isso não será útil nas próximas 24 horas. Esqueça mesmo aqueles estranhos ruídos melódicos que ouviu achando que era a grande invenção humana, a pura nata da criatividade do homem. Tente sobreviver às próximas 24 horas.
Lembre-se: nada disso vai ser útil nas próximas 24 horas.
Vamos agora achar graça no que é de verdade a existência: levante de sua cama historicamente construída. Pense só: nos tempos anteriores, ela seria digna de uma realeza. Levante dessa cama.
Agora, vá até seu banheiro, aquele que parte da ideia de higienização das coisas todas. Esse também, é quase um sinal de realeza. A cachoeira em miniatura que sai do cano de ferro, estrategicamente posicionado na sua louça de cerâmica - um artefato incrível - e se delicie com essa água que cai e no entanto não inunda o seu redor. E incrível, ela para de jorrar quando você quer. Lave seu rosto, e siga.
Vá caçar. Isso, atravesse a rua, lute bravamente pelo seu alimento da manhã. Leve suas armas e formule suas estratégias. Pegue sua presa numa sacola de plástico e coma todo o glúten do mundo. Aquele maravilhoso alimento da alma. Símbolo da riqueza e da miséria.
Agora pense que a oportunidade de organizar a si mesmo nesse espaço bravamente conquistado do seu território. Arrume sua vida, organiza sua cama real. Lave sua cachoeira particular. Não esqueça de colocar seus trajes na maravilhosa invenção humana, esta sim.
Agora repita essa ritual, até que a noite caia, e você verdadeiramente tenha feito todas as funções vitais para esse humano iluminado que é. Na verdade você merece toda a vida real que tem. Durma e, viu, sobreviveu às 24 horas que comprovam que você existe! O resto é fantasia. Se concentre nisso. Se concentre nisso. Caia na real, e não se levante de lá.
Não existe. Mas isso não é o suficiente. O mundo é isso aí: universos paralelos, deuses imortais, a mente que voa, só pra você não ter que caçar seu almoço e saber que é só isso.
Não é só isso, não pode ser só isso. Mas é.
Tente ver que nada existe, e você só precisa resistir bravamente às próximas 24 horas, que também não são exatas, mas tente sobreviver só às próximas 24 horas.
E pronto! Parece pouco, mas é tudo.
Não adianta mesmo, esqueça todas as leituras herméticas e não herméticas que fez na vida, na esperança de alcançar o saber transformador...esqueça do cosmo celestial azul. Isso não será útil nas próximas 24 horas. Esqueça mesmo aqueles estranhos ruídos melódicos que ouviu achando que era a grande invenção humana, a pura nata da criatividade do homem. Tente sobreviver às próximas 24 horas.
Lembre-se: nada disso vai ser útil nas próximas 24 horas.
Vamos agora achar graça no que é de verdade a existência: levante de sua cama historicamente construída. Pense só: nos tempos anteriores, ela seria digna de uma realeza. Levante dessa cama.
Agora, vá até seu banheiro, aquele que parte da ideia de higienização das coisas todas. Esse também, é quase um sinal de realeza. A cachoeira em miniatura que sai do cano de ferro, estrategicamente posicionado na sua louça de cerâmica - um artefato incrível - e se delicie com essa água que cai e no entanto não inunda o seu redor. E incrível, ela para de jorrar quando você quer. Lave seu rosto, e siga.
Vá caçar. Isso, atravesse a rua, lute bravamente pelo seu alimento da manhã. Leve suas armas e formule suas estratégias. Pegue sua presa numa sacola de plástico e coma todo o glúten do mundo. Aquele maravilhoso alimento da alma. Símbolo da riqueza e da miséria.
Agora pense que a oportunidade de organizar a si mesmo nesse espaço bravamente conquistado do seu território. Arrume sua vida, organiza sua cama real. Lave sua cachoeira particular. Não esqueça de colocar seus trajes na maravilhosa invenção humana, esta sim.
Agora repita essa ritual, até que a noite caia, e você verdadeiramente tenha feito todas as funções vitais para esse humano iluminado que é. Na verdade você merece toda a vida real que tem. Durma e, viu, sobreviveu às 24 horas que comprovam que você existe! O resto é fantasia. Se concentre nisso. Se concentre nisso. Caia na real, e não se levante de lá.
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Se (a)tente.
São alguns anos. Eu nem lembro muito bem quem eu era antes do vento forte que derrubou as minhas certezas. Coisa estão por vir. Uma vida de porvir. Estou feliz? Talvez só um pouco aliviada, acabar alguma coisa é sempre confortante. Desesperador.
O que será? Nunca estou satisfeita. É o mundo que me sobra ou que me falta (?) De tanto mundo eu me calo, fico mudo. É tudo tanto, não?
Espera, paciência. Tente não enlouquecer, tente esquecer e lembrar o tempo todo o que você não quer ser. Isso é um algo essencial.
O que será? Nunca estou satisfeita. É o mundo que me sobra ou que me falta (?) De tanto mundo eu me calo, fico mudo. É tudo tanto, não?
Espera, paciência. Tente não enlouquecer, tente esquecer e lembrar o tempo todo o que você não quer ser. Isso é um algo essencial.
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