sexta-feira, 14 de março de 2008
- Poesia, dia.
Que considere meu sentimento, que permita minha usura, que não se sinta ofendido por meus versos desajustados.
Hoje é dia da alma. Dia da Poesia.
segunda-feira, 10 de março de 2008
- Dez ilusões.
A estação estava cheia, e o barulho zunia no ouvido dela, afastando a concentração do que planejava. Pensava no telefonema do dia anterior, e refletia sobre o que havia dito com o coração livre de arrependimentos. Seria fútil dizer que foi fácil - Não foi.
Cada estação que passava ia aumentando sua espectativa de ver o ato concretizado, e a cada porta que se abria do veículo ia dando a sensação de querer um cigarro e café para amenizar suas dúvidas (talvez).
Faltavam ali pouco mais de 5 minutos, e sua mão já soava frio, sentia borboletas fazendo barbúrdia no seu estômago, preferiu pensar ser por conta do cachorro quente que comera um pouco antes.
Pronto, ali estava, sozinha; uma noite estrelada e com uma brisa leve, fria. À essa altura, tinha ninguém na estação, por um tempo sentiu um fervor subindo-lhe a espinha, mas sentou-se no banquinho que muitas vezes estivera totalmente ocupado, e hoje não teria de disputar com ninguém o banco preferêncial. Foram os próximos 25 minutos olhando para o nada, queimando até o filtro suas esperanças.
Desistindo do quê viera fazer, virou-se em direção à saída, e sentiu um cheiro familiar, olhou para trás, não viu o que queria ver. Sim era proibido fumar ali, foi o que o guardinha noturno disse; jogou fora o cigarro quase acabado, e calou-se diante a placa que noticiava o fato. Não havia mais nada que pudesse ser feito, ela sabia disso. Deu a meia volta e engolindo seu orgulho atravessou a rua, e deu sinal pro ônibus vazio ... repleta de insegurança.
sexta-feira, 7 de março de 2008
- Fotografia de Out(ub)ro.
Rezando alto em boate com olhares sórdidos.
Refazendo palavras dispersas
Atualizando idéias passadas
Perscrutando destinos absolutos.
Formulando respostas perdidas.
"Soneteando" um conto de amor;
Pobre sentimento doce.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
- Felicidade Noturna.
Para o baile.
Com certo pudor
Aviso minha presença;
Cruzando braços e apertos
No canto da parede, certo.
Com figura
ações que repetem a mesma dança.
Querido, vinho, refrigerante talvez.
Feliz cidade!
Luzes ofuscantes
Conversas para(L)elas.
Minunciosamente abrindo olhares
Instigantes presenças de vida
Ver e ficar à noite.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
- Sem sentido.
Na calçada, ele via o mundo passar.Todos os dias, ele sentava na frente da Mercearia do seu José, e lá ficava, até conseguir algo que lhe desse alegria.
Faziam alguns dias que não trocava de roupa, e se sentia bem com aquela camiseta velha estampada com a foto do Charles Chaplin, e gostava da bermuda enorme segurada por um cinto marrom; porém sabia que estavam sujas, e já exalando o mau cheiro da rua, cheiro de tudo junto. Era o que ele dizia, quando alguém lhe falava sobre o mau cheiro de sua roupa. Pensava ele afinal; que roupas usaria se não estas?
Aquele garoto, de uns oito anos aparentemente, mantinha consigo, uma coisa diferente, brilho talvez. Mistério. Ninguém sabia de onde vinha, o que fazia ali sentado na calçada toda tarde, quem era sua mãe, pai – Família.
Seu José já cansara de lhe perguntar sobre sua vida, e não obteve resposta se quer uma vez, e nem ao menos se sabia o nome daquele pequeno estranho, perdido numa imensidão vasta de pessoas, coisas, sonhos.
O garoto pensava com ele mesmo, todas as tardes, quem lhe dera o sopro de vida, e tentava adivinhar como foram feitas as coisas, o mundo. Não que fosse desprovido de inteligência, pelo contrário, era bem esperto, e sabia de muita coisa para sua idade. Comunicava-se como ninguém, e tudo que conseguira até aquele momento, vinha do resultado de suas doces e divertidas palavras, que encantava tudo ao seu redor.
Às manhãs, trabalhava como engraxate, recebia uns trocados, que garantia seu café da manhã (sempre leite com café); adorava café, todos achavam estranho um garotinho gostar tanto de café – “Feito gente grande”. E durante o resto do dia, simplesmente sentava na calçada, sorria para as pessoas, falava sobre Charles Chaplin, e contemplava as maravilhas do movimento, pessoas passando pela rua da frente.
Sabia ele pra que lado ir, e sabia também que devia voltar antes do pôr do Sol; só não sabia pra quem voltar.
Todos os dias são e serão assim para ele, e algum dia ele vai decidir ir pro outro lado, vai querer testar o gosto da desobediência própria, algum dia, ele vai se sentar em outra calçada, e quem sabe a vida lhe dê outro rumo. Enquanto isso, ele senta na calçada e espera o que ninguém sabe o quê, ele olha pra onde ninguém vê.
E sempre quando vai embora, cita Charles Chaplin, e numa voz quase miúda, sem ao certo saber o quê significa, diz como se fosse seu hino:
- Mais um dia bom...perfeito.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Felicidade Mediana.
Tudo começou. E eu já sei que é a ordem natural - Está tudo começando a acabar assim que começa.
É hoje que começam as ambições, sonhos, metas...
Uma sensação estranha de um vazio do querer, e mesmo assim ainda me sinto cheia.
Felicidade mediana. Oh sim.
As coisas se tornam mais relativas no dia de hoje, tudo passa a ser um mistério, espectativas.
Eu quero ir, mas não quero estar lá - Foi o que eu disse.
Palavras, elas saem, e eu nem sei mais o que dizem por conta própria.
Depois de tanto tempo sem isso, ainda não tenho nada a declarar.
Ansiosa. Não sei pra quê.

