Primeiro toque: ela pensa em atender, mas considera a possibilidade de ouvir o que não quer.
Segundo toque: ela finge ignorar, sem pensamento algum de consequência.
Terceiro toque: ela repensa atender, mas considera a possibilidade de dizer o que não quer.
Quarto toque: ela desiste de atender.
Quinto toque: ela desiste de desistir.
Sexto toque: ela sai correndo em direção ao toque, pulsante, ofegante, cheia de um desejo imenso de ouvir e dizer o que quer e o que não quer...
mas ele pára, e há silêncio.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
- Um pote. (6570º dia)
À partir de hoje, ela pode beber.
À partir de hoje, ela pode fumar.
À partir de hoje, ela pode ir pra um Motel.
À partir de hoje, ela pode ser presa.
À partir de hoje, ela pode ser julgada por seus erros.
À partir de hoje, ela pode ela pode dançar em boates.
À partir de hoje, ela pode dirigir.
À partir de hoje, ela pode prestar concursos públicos.
À partir de hoje, ela pode se casar.
À partir de hoje, ela pode ser eleita.
À partir de hoje, ela pode eleger.
À partir de hoje, ela é obrigada. A fazer, só fazer.
À partir de hoje, ela pode assistir filmes adultos.
À partir de hoje, ela pode ir sozinha ao médico.
À partir de hoje, ela pode ir à excursões de escola sem autorização.
À partir de hoje, ela pode comprar bebidas no supermercado.
À partir de hoje, ela pode fazer tudo que já fazia antes, mas com o peso de estar direito. Certo, contido.
À partir de hoje, ela pode olhar com nostalgia sua infancia, e com arrependimento sua adolescência, que deixou tantas coisas mal feitas, tantos erros incorrigíveis, tantos machucados "incicatrizáveis", tantos caminhos certos para trás.
À partir de hoje, as lembranças podem se tornar distantes.
À partir de hoje, o futuro chegará mais rápido, mais amedrontado, mais tímido.
À partir de hoje, ela pode olhar seu quarto e desejar não ficar muito tempo nele.
À partir de hoje, os sonhos não podem mais ser financiados, apenas pagos à vista.
À partir de hoje, as noites serão mais curtas, e os dias mais cansativos.
À partir de hoje, tudo que acontecer na vida dela, será repetido, apenas com novos nomes.
À partir de hoje, o que ela pode esperar, é um bom dia, boa noite, obrigada.
À partir de hoje, ela é obrigada a fazer do dinheiro uma rotina.
À partir de hoje, não vai haver possibilidade de novos melhores amigos.
À partir de hoje, ela pode esperar o amanhã com a certeza de que ele tem nome.
Mas à "partir de hoje", ela não queria ter de fazer essas coisas, esses maus e bons direitos e deveres. Hoje ela não queria nada disso, ela não deseja nada dessas coisas as quais ela já carrega consigo antes do "à partir de hoje".
Hoje e "à partir de hoje", ela só queria ter sorrisos sinceros e livres...e um pote de sorvete.
À partir de hoje, ela pode fumar.
À partir de hoje, ela pode ir pra um Motel.
À partir de hoje, ela pode ser presa.
À partir de hoje, ela pode ser julgada por seus erros.
À partir de hoje, ela pode ela pode dançar em boates.
À partir de hoje, ela pode dirigir.
À partir de hoje, ela pode prestar concursos públicos.
À partir de hoje, ela pode se casar.
À partir de hoje, ela pode ser eleita.
À partir de hoje, ela pode eleger.
À partir de hoje, ela é obrigada. A fazer, só fazer.
À partir de hoje, ela pode assistir filmes adultos.
À partir de hoje, ela pode ir sozinha ao médico.
À partir de hoje, ela pode ir à excursões de escola sem autorização.
À partir de hoje, ela pode comprar bebidas no supermercado.
À partir de hoje, ela pode fazer tudo que já fazia antes, mas com o peso de estar direito. Certo, contido.
À partir de hoje, ela pode olhar com nostalgia sua infancia, e com arrependimento sua adolescência, que deixou tantas coisas mal feitas, tantos erros incorrigíveis, tantos machucados "incicatrizáveis", tantos caminhos certos para trás.
À partir de hoje, as lembranças podem se tornar distantes.
À partir de hoje, o futuro chegará mais rápido, mais amedrontado, mais tímido.
À partir de hoje, ela pode olhar seu quarto e desejar não ficar muito tempo nele.
À partir de hoje, os sonhos não podem mais ser financiados, apenas pagos à vista.
À partir de hoje, as noites serão mais curtas, e os dias mais cansativos.
À partir de hoje, tudo que acontecer na vida dela, será repetido, apenas com novos nomes.
À partir de hoje, o que ela pode esperar, é um bom dia, boa noite, obrigada.
À partir de hoje, ela é obrigada a fazer do dinheiro uma rotina.
À partir de hoje, não vai haver possibilidade de novos melhores amigos.
À partir de hoje, ela pode esperar o amanhã com a certeza de que ele tem nome.
Mas à "partir de hoje", ela não queria ter de fazer essas coisas, esses maus e bons direitos e deveres. Hoje ela não queria nada disso, ela não deseja nada dessas coisas as quais ela já carrega consigo antes do "à partir de hoje".
Hoje e "à partir de hoje", ela só queria ter sorrisos sinceros e livres...e um pote de sorvete.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
- Verossímil.
Dificuldade imensa de assumir-se em todos os erros e acertos.
De cumprir compromissos, de assinalar a certa, dentre as erradas.
De fugir do marasmo, de obter dores.
Dores de apatia, dores de partida.
Se esvai, a possibilidade de continuar sentindo a falta de sentimentos.
A falta de efervecência, de fugacidade.
Dificuldade em resolver problemas, reais, em resolver problemas matemáticos, lógicos, biológicos.
Em guardar o último cigarro para o melhor momento.
Capacidade de acendê-lo na hora exata em que não podia.
Ah, metáforas, antíteses e paradoxos.
Ouvi alguém, num dia próximo a este, dizer Trovadoresco, achei engraçado, mas é tão sintético.
Debochadamente, eu ouvi isso também.
Eu ouço, só ouço, mas o verbo ser / estar, não cabe mais em mim.
Não serve.
Tanta coisa pra viver, e eu aqui, dissertando um "fato inexistente", impalpável, mutável, variável, volúvel.
Não sei se isto é prosa, se é poesia ou se é uma conversa de telefone com alguém que não tenha nada pra fazer, e se dispôs a ouvir.
Eu nem quero acreditar em prosas e poesias.
Eu nunca acreditei,me sinto como Zé Fernandes, como Jacinto Tormes.
Que busca é essa incessante pelo intangível, inexistente?
Definitivamente, eu acredito na incerteza, na indecisão, na relatividade, no Candomblé e nos porquês dessas vidas que me compõem.
Eu sou adepta à loucura, ao enlouquecimento comedido, do medo em querelas, das coisas que não fazem sentido, adepta de mim, da verossimelhança entre eu e Eu.
De cumprir compromissos, de assinalar a certa, dentre as erradas.
De fugir do marasmo, de obter dores.
Dores de apatia, dores de partida.
Se esvai, a possibilidade de continuar sentindo a falta de sentimentos.
A falta de efervecência, de fugacidade.
Dificuldade em resolver problemas, reais, em resolver problemas matemáticos, lógicos, biológicos.
Em guardar o último cigarro para o melhor momento.
Capacidade de acendê-lo na hora exata em que não podia.
Ah, metáforas, antíteses e paradoxos.
Ouvi alguém, num dia próximo a este, dizer Trovadoresco, achei engraçado, mas é tão sintético.
Debochadamente, eu ouvi isso também.
Eu ouço, só ouço, mas o verbo ser / estar, não cabe mais em mim.
Não serve.
Tanta coisa pra viver, e eu aqui, dissertando um "fato inexistente", impalpável, mutável, variável, volúvel.
Não sei se isto é prosa, se é poesia ou se é uma conversa de telefone com alguém que não tenha nada pra fazer, e se dispôs a ouvir.
Eu nem quero acreditar em prosas e poesias.
Eu nunca acreditei,me sinto como Zé Fernandes, como Jacinto Tormes.
Que busca é essa incessante pelo intangível, inexistente?
Definitivamente, eu acredito na incerteza, na indecisão, na relatividade, no Candomblé e nos porquês dessas vidas que me compõem.
Eu sou adepta à loucura, ao enlouquecimento comedido, do medo em querelas, das coisas que não fazem sentido, adepta de mim, da verossimelhança entre eu e Eu.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Neusa Sueli.
Neusa Sueli carrega seu corpo como se carregasse um saco de cimento.
Ela maquila seu rosto como se pintasse aquela boneca velha, àquela que ela nunca teve.
Neusa Sueli se ama, como ama um saco plástico jogado na rua.
Ela se vende como se vendesse balas no trem.
Neusa Sueli sofre, como sofreu um dia alguém como ela.
Ela fala a verdade como uma atriz de revista.
Neusa Sueli sente pena de si, como sente da mediocridade dos que a rodeia.
Ela fala com os outros, como se falasse com um empresário.
Neusa Sueli, faz negócios importantes todo dia, tão importantes como os cafézinhos pagos a quem finge que não vê.
Ela é tão importante quanto os anônimos, os indigentes.
Neusa Sueli, espera sua estrela, como Macabéia, mas não há estrelas para quem não sabe ver.
Ela fuma cigarros franceses, como os dos pedreiros, os civis.
Neusa Sueli, paga por um prazer e recebe por outro.
Ela foge, assim como os presos a cadeiras de rodas.
Neusa Sueli tem 29 anos, assim como a Suzana Vieira.
Ela é tão bonita, quanto as impurezas que pratica.
Neusa Sueli chora, como criança.
Neusa Sueli chora.
Ela maquila seu rosto como se pintasse aquela boneca velha, àquela que ela nunca teve.
Neusa Sueli se ama, como ama um saco plástico jogado na rua.
Ela se vende como se vendesse balas no trem.
Neusa Sueli sofre, como sofreu um dia alguém como ela.
Ela fala a verdade como uma atriz de revista.
Neusa Sueli sente pena de si, como sente da mediocridade dos que a rodeia.
Ela fala com os outros, como se falasse com um empresário.
Neusa Sueli, faz negócios importantes todo dia, tão importantes como os cafézinhos pagos a quem finge que não vê.
Ela é tão importante quanto os anônimos, os indigentes.
Neusa Sueli, espera sua estrela, como Macabéia, mas não há estrelas para quem não sabe ver.
Ela fuma cigarros franceses, como os dos pedreiros, os civis.
Neusa Sueli, paga por um prazer e recebe por outro.
Ela foge, assim como os presos a cadeiras de rodas.
Neusa Sueli tem 29 anos, assim como a Suzana Vieira.
Ela é tão bonita, quanto as impurezas que pratica.
Neusa Sueli chora, como criança.
Neusa Sueli chora.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
- O som dos cubos de gelo.
É um som melancólico, aveludado, triste. Delineando as próximas reações. Colocando as palavras na boca de quem ainda pensa em não pronunciá-las.
O seu silêncio comedido, vai me fazendo gritar por dentro, acaba por me ensurdecer.
Vamos esperar nossa próxima parada, vamos aguardar onde seremos jogados pra fora um do outro. Qual será a próxima regra quebrada por infratores insanos, por mendigos de um amor de migalhas?
Temos recolhido os farelos que caem dos nossos corações cansados. E vivendo de restos, vivendo de meados, meros, apenas, só.
O veludo da música, é Etta eu acho, vem trazendo as memórias inventadas por nós, nossas vaidades de areia, nosso universo de vidros sem nenhuma transparência.
Que dia difícil tivemos hoje, e tudo que eu desejo agora é ter inspiração, pra que o meu silêncio faça algum sentido.
O seu silêncio comedido, vai me fazendo gritar por dentro, acaba por me ensurdecer.
Vamos esperar nossa próxima parada, vamos aguardar onde seremos jogados pra fora um do outro. Qual será a próxima regra quebrada por infratores insanos, por mendigos de um amor de migalhas?
Temos recolhido os farelos que caem dos nossos corações cansados. E vivendo de restos, vivendo de meados, meros, apenas, só.
O veludo da música, é Etta eu acho, vem trazendo as memórias inventadas por nós, nossas vaidades de areia, nosso universo de vidros sem nenhuma transparência.
Que dia difícil tivemos hoje, e tudo que eu desejo agora é ter inspiração, pra que o meu silêncio faça algum sentido.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
- Pessoal.
Esses últimos textos breves, sintetizam minhas poucas palavras, a tantos acontecimentos breves.
O amor, retificando, não é tudo, com ele vem a ternura e a necessidade.
Tem sido tão pessoal esse café, acontece, que a vida se tornou uma fábula, e se mistura com os personagens. Esqueçam essa fase café, e esperem a nostalgia.
O amor, retificando, não é tudo, com ele vem a ternura e a necessidade.
Tem sido tão pessoal esse café, acontece, que a vida se tornou uma fábula, e se mistura com os personagens. Esqueçam essa fase café, e esperem a nostalgia.
domingo, 2 de agosto de 2009
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