quarta-feira, 16 de junho de 2010

- Na trave.

Tenho falado demais. As outras pessoas do mundo, não gostam de pessoas que falam demais.

sábado, 5 de junho de 2010

- Nem vem que não tem.

Só por que quando eu tô de saco cheio, quero que todo mundo se enfie num saco preto e se jogue num caminhão de lixo.

sábado, 22 de maio de 2010

- Tomando toda solução.

Feto, pequeno.
Às vezes, parece que não há muito tempo.
Será que é um mimo do destino?
Só sei que quando me pego comigo, discuto comigo, sobre se eu ainda vejo, se sou capaz de ver. Estou ficando bêbada com tudo isso, embreagada com essas fortes fontes de percepção. O silêncio tem sido minha melhor argumentação, eu acredito no acaso também.
Acho bem difícil que, com as poucas horas em que meu corpo parece padecer, eu consiga pensar em algo melhor.
Eu estou dando uma rasteira no tempo.
mas quem está caindo sou eu.

sábado, 10 de abril de 2010

- Popol Vuh.

Eu alterei a ordem dos fatores, e o que aconteceu foi tão imprevisível.
Tudo bem, o leite tá ruim, a mortadela também. Eu estava mesmo com fome.
Passei tanto tempo idolatrando os bons, e descobri que os maus são eternos. Os sarcásticos, os dissimulados, os irônicos. Os irresistíveis.
Aliás, acreditei por tanto tempo que os bonzinhos eram bonzinhos e mereciam a pureza da palavra. E aí, tudo isso desaba num conjunto de gestos, isso mesmo, sem proferir uma só palavra, que interpretados mostram que os bons só são bons, por que não conseguem ter a superioridade de serem maus. A maudade é tanto quanto a bondade. Não que esteja defendendo atitudes maudosas, estou defendo a pureza de um ser mau. Porque ele não sofre, ele não conhece a compaixão, nem a empatia.
Me enganaram todo esse tempo, dizendo e selecionando os tipos de pessoas, povos, idéias e vidas; como se só existissem duas classificações para todo o universo. Não, não há. Há o "mais ou menos", o "talvez", o "quase", o "quem sabe". Há os "meios", não só os "começos e fins". Há algo além de 1 e 2, A e B.
É triste, na verdade é frustrante, passar a vida classificando todas as coisas entre duas prateleiras, e descobrir que há muitos armários, que na sua cabeça, estão vazios, estão esperando algo para preenchê-los, e como você não sabe como classificar o que nunca foi classificado, eles ficarão vazios, até que você derrube àquelas prateleiras, e faça tudo de novo.
Eu poderia ter comido outra coisa, mas aquilo me parecia atraente.
É sério, esse papo todo tem muito a ver com isso. Eu escolhi comer alguma coisa, e comi. E foi péssimo, e foi ruim, eu fui mau conscientemente, e pior, fui mau comigo mesma.
Essas são as consequencias de fazer algo que não se está preparado, você enlouquece, e eu não estou falando da mortadela, estou falando de história, de outro mundo, de outra esfera, de outro estado, de outra posição. Estou falando de 100 páginas por dia, de pessoas solitárias, de palavras transbordantes. Estou falando de mentiras absolutas, e verdades...não, definitivamente, não estou falando de verdades.

quarta-feira, 31 de março de 2010

- Em Russo.

Estou longe, estou em outra estação.
De qualquer forma quem volta sozinha pra casa sou eu
e de verdade, eu sou cruel comigo, meu corpo alimenta meus espíritos
meus espíritos libertam a minha mente.
transcrevo o que ele diz, por que faz todo sentido, pra mim, para ele.
estou longe, longe...
estou em qualquer estação.

domingo, 21 de março de 2010

Meta fora.

Hoje, ouvi alguém dizer que estava tramando contra o tempo.
É só uma frase, um efeito. O tempo me pegou na esquina. Mal sabia eu, o que me esperava na curva. O tempo me deu a chance de concretizar planos, e reiniciar outros, falir alguns.
O tempo tem me dado presentes incríveis, me trouxe num vento de março a sorte, e eu, que quase nunca acreditava na sorte, percebi que ela é como deus, ou talvez seja o próprio.
O tempo, a sorte, deus...essas coisas me fazem lembrar de quando eu ainda pensava no futuro como uma coisa tão longe, tão sólida.
Hoje também, ouvi outra frase, e faz todo sentido, achar que, tudo o que é sólido, pode derreter. E pode.
Vi tanta coisa derrter nesse vento de março, tanta coisa se esvair do meu cigarro. Esquece, agora é só a maturidade, só ela pode trazer de volta o que o vento levou, o que o cigarro queimou.
Eu detesto mesmo jogar um cigarro quase inteiro quando vem o ônibus, mas isso sempre, sempre acontece comigo. Às vezes eu jogo o cigarro, as vezes eu jogo a sorte. Mas não sei, será que tenho escolhido certo? O que vale mais, o cigarro inteiro, ou a pressa de chegar?

segunda-feira, 15 de março de 2010

- No sofá, no mim.

Sempre foi assim. Quase gêmeos. Quase um.
desde sempre, quase nunca.
mas, a gente sabia que, uma hora ou outra a separação era evidente, digo, a separação de corpos.
os caminhos se cruzam, mas não são paralelos. Se cruzam, mas não nos cruzam.
eu só penso nessa dor, do cigarro não dividido, do beijo não dado, do encosto não encostado, da revolta não compartilhada.
devia ter fumado mais, beijado mais, encostado mais, revoltado mais.
sem isso, o que vai ser? Sem nossos imãs, como vai ser?
sem seu afago, como vai ser?
sabe, detesto a solidão, detesto o silêncio, detesto estar longe, estar apenas comigo, por que eu sou tão cruel comigo, tão cruel.
como vai ser, querido, como vai ser?
Você lá, com a pop art e eu cá com minha fixação.
não fique longe, não se deixe longe, pode ir, mas se deixe aqui comigo, por que parece besteira, mas tão pouco tempo, é tão muito tempo.
não esqueça, antes de ir, te deixe no sofá.