domingo, 28 de julho de 2013
- A vida não tem passado.
Estou olhando agora pra uma coisa que está bem na linha tênue entre as coisas que existem e as que não existem.
Sabe aquela linha que divide o céu e o mar? Em linhas como essa, que quase não se distinguem, estão todas as respostas pro desagrado da vida cotidiana. Lá estão escondidas as histórias de desamor mais belas. Essas linhas, são como aquele momento do dia em que se está quase acordado, um momento de sinestesia, onde o que se escuta se mistura com o subconsciente, produzindo cheiros e cores. Nessa linha estamos eu e você - é um segredo universal não sabermos quem somos e continuarmos no mundo. Como sabemos se estamos vivos? Não sabemos, só não sabemos.
Ainda há nessa linha tênue todas as fontes de sabedoria disponíveis para o homem, lá que se escondem os grandes homens junto com as grandes mulheres. De lá saem as mais lindas melodias, de lá sai também todo o ódio, genuíno, sincero.
De lá saímos nós. Embriagados de sol. Caminhando sobre a casca do mundo, só perscrutando respostas e respostas. O ser humano vive dentro da terra? O ser humano vive todo dentro de mim.
Eu também, moço, espero uma canção que seja capaz de acordar os homens e adormecer as crianças. Eu também espero que a angústia do mundo contemporâneo seja algo que se possa comer. Espero que possamos engoli-la, espero que possamos vomitá-la.
Eu também espero que os relógios só sejam um "algo velho" que diga muito pouco sobre quem somos ou quem fomos. Espero que os livros sejam pessoas. Que os dias por si só já sejam a vida se consumindo. Os dias, progressivamente, sejam mais vida do que significam hoje. Um dia seja uma vida inteira que passa.
Espero que possamos fumar nosso cigarro como se não houvesse amanhã, não porque podemos morrer, mas porque podemos continuar vivendo. Viver é o verdadeiro medo que deve ser levado em consideração. Fazer tudo como se fôssemos morrer é um engano, porque se morrermos não importa se comemos nosso bolo ou se fumamos nosso cigarro, não é?
Eu espero que as pessoas tenham mais a chance de acreditar no acaso. Espero que elas se encontrem, transem, briguem, se amem, e possam inclusive dizer adeus. Espero que elas tenham passado - bem ou mal.
domingo, 30 de junho de 2013
- fome de nada.
Caminhando nas ruas frias de São Paulo, olhando atentamente as vielas, os cantos, os buracos, percebi que eu ainda não encontrei nada aqui que me faça desistir. Nada que me impeça de ir trabalhar, nada mais.
Eu olhei pra tudo olhei pra mim, olhei pra você, olhei pra nós. Retomei anseios, retomei à mim. Não sei o que fazer com isso, não sei o que fazer quando estou na minha presença, há algo que se possa fazer?
Os famintos, como eu, recusam-se a esperar, esperar por alguma coisa, recusam-se a culpar a si mesmos por não caminharem. Eu estou faminta, e nada que tenha preço pode sanar minha fome.
domingo, 12 de maio de 2013
- free.
Enquanto caminhava no asfalto, pensou se seria isso mesmo que gostaria de fazer. Não isso: caminhar no asfalto, mas talvez pensou que não gostaria de ir fazer o que estava indo fazer. Na verdade, pensava em quantos cigarros ainda tinha, quanto dinheiro ainda tinha e quanto de amor ainda tinha. Não se caminha sem cigarros, mas provavelmente caminhar sem amor é muito mais leve.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
- pagar com visa é muito melhor.
Eu tenho um caderno. Comprei-o pra uma matéria da faculdade, chamada Teoria. Mas eu roubei esse caderno pra mim. Tentei escrever nele coisas minhas e suas. Tentei projetar nele minha ansiedade e a minha falta de criatividade. Descobri que não consigo fazer isso. O caderno ficou lá, sozinho, sem teoria.
Eu estava lendo as velhas coisas que estão aqui, e vi que estou ficando tão sem jeito pra esse negócio de entender. Eu queria juntar dinheiro pra ir viajar, mas eu tenho medo disso, queria ir, mas gosto de ficar. Queria voltar pro circo, queria voltar num tempo, queria ser corajosa, queria isso e aquilo. No fundo, eu não queria nada.
Não consigo fazer nada que planejo, não consigo parar de planejar, não consigo ser pessimista, não consigo me desapaixonar pelas coisas e pessoas, não consigo dizer adeus, nem olá. Fica tudo como está, tudo como deve estar. Nada de novo no front. Não consigo falar de amor, nem de desamor.Não consigo me ver, nem me mudar.
Não consigo sair, nem entrar, não consigo fluir. Não consigo fluir.
Não consigo ir a festas, não consigo suportar o tédio. Não consigo me mexer, não consigo me parar. Eu não sei, mas não consigo deixar de saber, por que o mundo não me surpreende?
Não sei, mas estamos todos esperando ansiosamente que o mundo o faça, daqui uns dias. Se o mundo for mesmo acabar, por que eu ainda pago contas à vista?
quarta-feira, 27 de junho de 2012
- sem nome ou endereço.
Preciso de um pouco mais de ar, um pouco mais de tempo, um pouco mais de espaço, um pouco mais de mar. Eu preciso tomar cerveja por dois reais, preciso andar de bicicleta, preciso ver casinhas coloridas, preciso de sorrisos nacionais e internacionais. Preciso olhar pro céu, e ver o céu. Preciso de amor, um pouco mais de amor, daqueles surreais, daqueles que não são humanos, talvez eu precise adotar um cão, ou um peixinho solitário. Preciso de inspiração para ler livros que eu nunca ouvi falar, e ouvir as velhas músicas que eu tanto prezei. Preciso de mim, um pouco mais de mim.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
- blues power (8:41)
eu não quero ficar a vida inteira lutando contra o sistema.
eu não sei pra quê servem virgulas, pontos, pontos - virgulas, nem sei. Acho que a vida é tão maior do que tudo isso, acho que as pessoas ficam discutindo de graça o que outras pessoas são pagas pra discutir. Eu gosto de ouvir uma boa música ruim e sorrir, por que ela existe apenas pra me fazer sorrir, eu gosto de tomar uma cerveja gelada e chegar a conclusão de que todas as cervejas são iguais. Eu já disse tudo isso, mas parece que a vida é cíclica mesmo, há uns cinco anos eu estava nesta mesma agonia do ser, eu estava me masturbando com as mesmas indagações sobre as irritações megalomaníacas de pessoas que realmente não tem por que ou por quem viver.
Olha, eu percebo quão boa é a felicidade, por que toda vez que estou muito feliz não faço mais nada além de ser feliz. A felicidade toma todo o tempo de quem a vive, ela consome toda a energia, a felicidade gasta todo seu dinheiro. Daí eu percebo, como disse, que é a terceira vez que escrevo alguma coisa bem estranha essa semana, que tenho sentido tédio, que tenho sentido saudade, que tenho sentido apatia, que tenho sentido azia. Acho que tudo isso é tristeza. Tristeza que deixa a gente intelectual, fino, blasè, deixa a gente até mais bonito, mais organizado, com mais dinheiro. Porque é assim que a tristeza faz, ela te deixa tão interessante e criativo, e ao mesmo tempo tão exigente e chato que só a tristeza se torna verdadeiramente atraente.
Internet, café, cigarro, cinema israelense, tv a cabo, só servem mesmo pra pessoas tristes. Só.
Quando a felicidade existe, a gente ouve qualquer coisa e ri, a gente vê qualquer coisa e ri, a gente ama qualquer alguém e ri, a gente não precisa de tv a cabo, não precisa de cinema israelense.
Se bem que, café serve também pra quem trabalha, mas todo resto é pra quem é triste.
Eu queria ficar mais poética possível, pra pelo menos a tristeza servir pra alguma coisa, mas eu tô ficando tão de saco cheio disso tudo, que a poesia é o silêncio, a poesia é mais o que deixo de dizer, do que o que eu realmente digo. A poesia está no analisar a tristeza, e a minha tristeza está tão "novela das oito" que nada há de poético. Eu costumo trocar uma ideia com as ideias quando tô assim, mas nada melhor do que um blues power para consolidar o status: tristeza blasè. Não, não, status: tv a cabo, cinema israelense, café e liberdade.
domingo, 3 de junho de 2012
- Senti (metros) de amor.
estava pensando em correr riscos.
mas só de ouvir a palavra "correr" não me animo muito, sou fumante e não sei correr.
estive pensando em continuar andando na linha reta, mas lembrei que "continuar" pressupõe que eu já faça isso.
estava pensando em amar, amar.
é mais fácil assistir filmes e ouvir músicas, amar, é uma consequência brutal.
acho que esses últimos goles, últimos tragos, últimos beijos, são tão singulares. Preciso crescer, fazer o último, ter o último, ser o último me daria alguns centímetros de amor e nostalgia.
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