quarta-feira, 15 de julho de 2009

- Nota três.

Ela atendeu o telefone no primeiro toque.
Mas desligou depois da primeira palavra.

domingo, 12 de julho de 2009

- Meros, apenas, só.

Tudo, engasgado, dedos.
Tudo, quer, sair, não, sai.
Quer, escrever, não, dá.
Quer, mentir.
Quer, falar, verdade, toda.
Quer, arrumar, ordem.
Preciso, abrir.
esses corpos que me fecham.
essas, caras, que, assustam.
essas, frases, que, me, matam.
sufocam.
preciso, de, mais, letras, alfabeto.
quer, voar, sair, de, dentro, de, mim.
quer, ouvir, coisas.
ver, outras.
não, faz, o, menor, sentido.
tudo, fragmentado, em, pequenas, desculpas.
tudo, virgulado.
assim, eu, me, acabo, em, suposições.
mais, eu, venha, espero.
não, pode, ser, apenas.
um.
uma, loucura, virtual.
apenas, isso.
me, perdi, no, que, acredito.
me perdi, no, que, conheço.
o, desconhecido.
eu, sou.
eu, vejo, muito, pouco.
quase, nada, do, que, gostaria.
do, que, existe.
Deus, eu preciso de um cigarro, preciso de ar.

domingo, 5 de julho de 2009

- Paradoxal.

Ainda insisto em uma ideia, meio paradoxal.
A tristeza a(s)cende minhas vontades e aptidões com as palavras, mas retira meu ânimo para que eu chegue até aqui. Em contrapartida, a alegria me ofusca, me torna convencional, aberta - Feliz - , porém certa, contida.
Adoro ser feliz, mas quando sou, me sinto apenas uma. A tristeza, me transforma em várias, em muitas, em grupo.
A tristeza me revela faces de mim, as quais são ocultas quando libero um riso.
Esses dias em que estive ausente, foram os mais felizes de minha vida, e esses, não possuem registros, pois são demodês, lindos, completos. Eles, por si, se poupam de comentários, e eu os obedeço, com um filho - exemplo.
O mesmo ocorre com as fotografias. Não lembro de fotos felizes, lembro das tristes, das nostálgicas. Os filmes tristes me marcam, os alegres, me fazem rir apenas. Estranha maneira de amar a tristeza. Estranho egoísmo, em se ver em várias quando se está triste.
Alegria é fácil, é simples, é sublime - eu diria - , mas é fato consumado. A tristeza é vaga, misteriosa, complexa e hostil. É a oportunidade que eu tenho, de descobrir de quê tenho medo, de quê me componho, quando componho.
Hoje, eu estou feliz, talvez seja esse motivo, pelo qual, esse fragmento se tornou tão demodê (como disse), tão prosaico. Mas estou em êxtase. Feliz, completa. Simples de ver, de ouvir.
Assisto à comédias, ouço músicas dançantes, aprendo o amor em sua forma mais sucinta. Mas não me sinto, não me aprendo, não escrevo.
Prefiro a arte de rir ( a frase mais clichê), do que a arte do autoconhecimento.
Pra quê me conhecer, sob todos os ângulos, sendo que, quando estou feliz, todos me conhecem sob o ângulo mais limpo?
É jogo sujo.
Eu sei.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

- A última vez que vi Anne.


Da última vez que encontrei Anne, foi em 99
E me lembro do seu perfume adocicado, e seu cachecol vermelho sangue
A gente tomou um conhaque, e trocou mágoas por uns segundos.
Ela disse que desejou beijos e flores, e que conseguira isso
Só que hoje não faz mais sentido, e aquelas doces mentiras
e as desilusões de um quase-amor quase-perfeito.

estava escuro na Pub, mas ainda conseguia ver seu sorriso dolorido
e as marcas tristes que o tempo marcou na sua alma infantil
e quando lembro de seu perfil, vejo beleza onde não há.

Antes de se magoar com mentiras que ela adorava repetir
disse num tom grave, que Pietro havia se casado
e com uma moça de olhos cor-de-mel, disse isso com inveja nos lábios.
Já eram doses de solidão que engolia sem pensar
e o filtro não filtrava mais nada.
Anne falava como quem fala a um Vigário
como se eu pudesse absolvê-la de seus momentos de fraqueza.
e assim ela repetia suas doces mentiras, tentando
convencer a mim, de que um dia foi feliz
mas as coisas acabam, e o amor não é tudo - Dizia.

Continuamos com filosofias pós-meia-noite
vira-e-mexe ela repetia suas doces mentiras.
A essa hora a gente diz o que não quer
mas eu ainda tentava estabelecer silêncio no meio de tantas palavras ditas.

Hoje quando acordei, e me vi diante ao espelho
percebi que Anne envelheceu dez vezes o que deveria.
Mas o que dói, é que eu estatizei e me vejo cada vez mais inexperiente.
Anne me disse que cada dez coisas que falamos, pelo menos oito são frutos de um pensamento incompleto
e a cada dez que escrevemos, as dez servem para que abafemos as palavras e contemplemos o silêncio que destas advém.

Ainda ouço as doces mentiras de Anne, e acredito que sejam sinceras.
A gente ouviu Joni Mitchell
e percebi que Richard seria ótima companhia para Anne
e os meus dedos resolveram mentir pra ela, e escrever isto aqui.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

- Nota 1.

Divagações. Entre todos os ponteiros desse relógio
existe algo que pulsa, que adverte, que pune.
As horas fazem da vida, uma contínua régua, tudo se "milimitra"
nada é eterno, o tempo não é limite, o limite vai além disso.
Dentre todas as promessas que deixei de fazer à mim, uma delas me chama atenção:
Não poupar o tempo, gastá-lo por inteiro, consumí-lo em sumo;
mesmo que por 5 minutos, segure entre meus dedos, o inseparável ardor de um capricho. Eu posso sentir seu cheiro, esvaindo pela fumaça cinza, que tanto combina com meu humor demodê, quase blasè.
Ouça, eu posso ser meio entediada ou entediante, mas ainda tenho o ímã, que prende, qualquer coisa oposta.
Escuta, eu posso partir a cara, posso cair mil vezes, mas os amores eternos da minha vida, serão sempre eternos, perpétuos, fadados a serem lembrados como unânimes, e serão fadados a lembrarem do meu ego, como imagem de uma mancha cinza, que sumiu, como a fumaça do cigarro que desentope meus sentidos.
Ouça, eu acredito nas horas, mas não confio nelas. Acredito nos dias, mas não confio neles. Acredito nos anos, mas não a eles deposito minha confiança. Eles traem meu rosto, traem minha mente, traem minha cabeça que ainda está parada em algum lugar durante o percurso.
Ouça, eu travei aqui, uma batalha interminável, entre eu, o tempo e o tempo.
Escuta, eu não preciso ganhar...
entenda, eu só não quero perder.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

-

O mundo não é. O mundo está sendo.
.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

- It's

Figura em mim, os movimentos doces, de um doce de leite.
Cai sobre mim, o fino tino da melodia doce, deleite.
Esbalde sobre mim a doçura do saber e ver, sentir - comer - num doce deleite.
Saliva em mim, a água doce, que vem do doce da boca, hum, é de leite.
Cada passagem fúlgida, cada passo certo, cada grão de açúcar, que compõe os doces, o de leite.
Faça-se em mim, um doce, é leite com doce, é um doce deleite, é calmo e intenso, é doce.
Eu sumo, eu viajo, eu voo, a cada doce, a cada doce que percorre minha boca, minha fala.
Eu transbordo em mim, ao ver o deleite que me faz o seu doce.
Eu me rendo a sentir o doce, o leite, o deleite, o fim.
Figura em mim, o estase doce - fixo - parado. Um doce de leite, um deleite.


em amor.