domingo, 17 de fevereiro de 2008

- Felicidade Noturna.

Vamos ( ! )
Com vida
Para o baile.
Com certo pudor
Aviso minha presença;
Cruzando braços e apertos
No canto da parede, certo.
Com figura
ações que repetem a mesma dança.
Querido, vinho, refrigerante talvez.
Feliz cidade!
Luzes ofuscantes
Conversas para(L)elas.
Minunciosamente abrindo olhares
Instigantes presenças de vida
Ver e ficar à noite.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

- (Marca) dores no caminho.


Marca
Dor.
Dores que se mostram
Marcas que ficam.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

- Sem sentido.

Na calçada, ele via o mundo passar.

Todos os dias, ele sentava na frente da Mercearia do seu José, e lá ficava, até conseguir algo que lhe desse alegria.

Faziam alguns dias que não trocava de roupa, e se sentia bem com aquela camiseta velha estampada com a foto do Charles Chaplin, e gostava da bermuda enorme segurada por um cinto marrom; porém sabia que estavam sujas, e já exalando o mau cheiro da rua, cheiro de tudo junto. Era o que ele dizia, quando alguém lhe falava sobre o mau cheiro de sua roupa. Pensava ele afinal; que roupas usaria se não estas?

Aquele garoto, de uns oito anos aparentemente, mantinha consigo, uma coisa diferente, brilho talvez. Mistério. Ninguém sabia de onde vinha, o que fazia ali sentado na calçada toda tarde, quem era sua mãe, pai – Família.

Seu José já cansara de lhe perguntar sobre sua vida, e não obteve resposta se quer uma vez, e nem ao menos se sabia o nome daquele pequeno estranho, perdido numa imensidão vasta de pessoas, coisas, sonhos.

O garoto pensava com ele mesmo, todas as tardes, quem lhe dera o sopro de vida, e tentava adivinhar como foram feitas as coisas, o mundo. Não que fosse desprovido de inteligência, pelo contrário, era bem esperto, e sabia de muita coisa para sua idade. Comunicava-se como ninguém, e tudo que conseguira até aquele momento, vinha do resultado de suas doces e divertidas palavras, que encantava tudo ao seu redor.

Às manhãs, trabalhava como engraxate, recebia uns trocados, que garantia seu café da manhã (sempre leite com café); adorava café, todos achavam estranho um garotinho gostar tanto de café – “Feito gente grande”. E durante o resto do dia, simplesmente sentava na calçada, sorria para as pessoas, falava sobre Charles Chaplin, e contemplava as maravilhas do movimento, pessoas passando pela rua da frente.

Sabia ele pra que lado ir, e sabia também que devia voltar antes do pôr do Sol; só não sabia pra quem voltar.

Todos os dias são e serão assim para ele, e algum dia ele vai decidir ir pro outro lado, vai querer testar o gosto da desobediência própria, algum dia, ele vai se sentar em outra calçada, e quem sabe a vida lhe dê outro rumo. Enquanto isso, ele senta na calçada e espera o que ninguém sabe o quê, ele olha pra onde ninguém vê.

E sempre quando vai embora, cita Charles Chaplin, e numa voz quase miúda, sem ao certo saber o quê significa, diz como se fosse seu hino:

- Mais um dia bom...perfeito.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Felicidade Mediana.

- Hoje é.
Tudo começou. E eu já sei que é a ordem natural - Está tudo começando a acabar assim que começa.
É hoje que começam as ambições, sonhos, metas...
Uma sensação estranha de um vazio do querer, e mesmo assim ainda me sinto cheia.
Felicidade mediana. Oh sim.
As coisas se tornam mais relativas no dia de hoje, tudo passa a ser um mistério, espectativas.
Eu quero ir, mas não quero estar lá - Foi o que eu disse.
Palavras, elas saem, e eu nem sei mais o que dizem por conta própria.
Depois de tanto tempo sem isso, ainda não tenho nada a declarar.
Ansiosa. Não sei pra quê.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

- Hoje não escrevo.

- Hoje não tem crônica, hoje não tem poesia... hoje não tem.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

- Kozmic Blues. (A canção da sua ida.)


Não, eu não preciso do seu perdão.

É apenas um conjunto de palavras conjuradas. Elas não fazem nenhum sentido.

No meu dia preto e branco, eu prefiro adoçar meu Café com um pouco de Nostalgia.

Pra mim, isso tudo é só isso. Você diz que roubei um pouco de você e eu já não vejo aqui comigo as coisas que foram roubadas.

Eu mantive tão severamente os meus sonhos, inflexível persistência.

Eu não sou mais tão garota assim, não tão.

Um dia você teria mesmo que chorar, e mesmo assim ainda não são seus olhos que choram por você. Sinta-se sozinho agora, querido. Sinta-se perdido agora.

Abrace seus novos amigos e sinta neles o que nós não pudemos lhe dar, porque na verdade, eu nunca fui a melhor de todas.

Querido, você não percebe que tudo isso é farsa, tudo isso é pena. E não me julgue pelo seu penar.

Chegou a hora de uma parte de você crescer, e essa parte sou eu. Você vai ser sempre essa pessoa refugiada e hipócrita, sempre. A sua melancolia forjada, suas tristezas forçadas, sua postura de vítima que na verdade assassina o ego de qualquer pessoa que tente lhe ajudar; te empurram cada vez mais pro fundo.

Você diz que magoamos os seus sentimentos, diz. Você é frágil demais e se magoa consigo mesmo, porque no fundo, você sabe que não é forte o bastante para afirmar o seu fracasso.

Sinto muito, agora espero que tenha sua tão sonhada fama e popularidade, e que todos os seus fãs, digam que te amam em voz alta, e que te amem eternamente. Espero também que tenha sempre ao seu alcance sua solução para as horas “difíceis”, que tenha sempre seu vício para te tirar do poço, até o dia que ele mesmo te colocar lá.

Não esqueça, mantenha-se sempre na retaguarda, porque acontece com todos, as decepções brotam de onde não esperamos, num repente ela tira sua auto – estima. Querido, chegou a hora de ir, se despeça das noites alegres, porque de tudo que lhe “roubei” elas foram as únicas que encontrei na mala...estarão comigo daqui em diante.

“Time keeps movin' on,
Friends they turn away.
I keep movin' on
But I never found out why
I keep pushing so hard the dream,
I keep tryin' to make it right
Through another lonely day...”


segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

- "( i ) notável" rebeldia urbana.

De volta pra casa. As coisas passam rápido pela janela do trem, eu vejo rabiscos, distorção das imagens.

Naquele muro; alto o suficiente para impedir a entrada de garotos rebeldes (não os sonhos), são escritas coisas, ninguém entende o que quer dizer, ninguém vê, ninguém nota; mas é evidente, são demonstrações rebeldes, rebeldia com causa... ou sem ela. Uma rebeldia que não faz diferença às autoridades, eles nem se quer sabem que são tão sentimentais feito uma carta de amor. E aqueles garotos imploram por um pouco de atenção, em 2 metros de altura, o muro persiste em abrigar as idéias próprias escondidas em símbolos que ninguém consegue decifrar.

É estranho reparar no percurso, ver as gramas mal aparadas, e ninguém nota; ver as ferragens velhas atrapalhando as casas da redondeza, mas, ninguém vê.

Todo percurso é feito num silêncio macabro, e sim, todos falam sem parar. Você pode falar alto e perceptível, mas ninguém vai notar o que diz, porque ali nada é notável, tudo faz parte da rotina.

Pessoas cansadas, olhares distintos, expressões carregadas de tensão, ombros encurvados, olhos fechados - Todos ali, com a maior vontade do mundo de chegar em casa. É por isso que ninguém nota os muros pinchados, a grama mal aparada, as ferragens velhas, as mil conversas paralelas, e as expressões carregadas e até cômicas; porque estão todos ocupados demais consigo mesmo, estão todos buscando algum refúgio interior para aliviar o cansaço.

E os garotos rebeldes, continuarão escrevendo nos muros, até que deixem de ser “inotáveis”.